Às vésperas do início da campanha para as próximas eleições para deputado federal e estadual, é importante a lembrança dos resultados das eleições de 2006. O que se percebe, pela análise dos dados daquela eleição, é a pulverização dos votos dos passatempenses para os cargos de deputado estadual e federal.
Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (http://www.tre-mg.gov.br/ele2006/), em Passa Tempo estavam aptos para votar 6.814 eleitores, mas compareceram somente 5.446 (79,92%). Foram lembrados nomes de cento e quarenta e três candidatos a deputado estadual pelos passatempenses, sendo que somente dois deles obtiveram mais de duzentos votos (Diniz Pinheiro, com 1.756, e Irani Barbosa, com 725 votos) e apenas doze candidatos tiveram mais do que trinta votos. Ou seja, cento e trinta e um candidatos não receberam a mísera quantia de trinta votos. Para deputado federal, nossos conterrâneos lembraram o nome de cento e cinquenta e nove candidatos e os mais votados foram Rodrigo de Castro (1.594 votos) e Luiz Fernando (428). Cento e quarenta e um candidatos não receberam nem trinta votos.
A função principal do cargo de deputado, nos dois âmbitos, é legislar, propor, emendar, alterar e revogar a legislação, além de fiscalizar as contas do governo e criar Comissões Parlamentares de Inquérito. Obter recursos para os municípios não é função específica de um deputado, seja estadual ou federal. Entretanto, a busca de recursos é a oportunidade que a atividade política oferece ao parlamentar de ir além de seus deveres e cooperar com o governo das cidades de sua base. Infelizmente, o que se observa na prática é que o município que der mais votos a um determinado deputado terá dele mais empenho na busca de recursos.
Assim, se nossas lideranças políticas – sejam os vereadores, a prefeita, os formadores de opinião e os membros de partidos políticos – não comprarem a idéia do apoio a um número restrito de candidatos, dificilmente nossa cidade contará com o empenho dos deputados para a luta pelas reivindicações de Passa Tempo. De nada adianta darmos trinta votos a vários deputados se, desta forma, perdemos a oportunidade de nos legitimarmos com votação expressiva junto aos mais votados. Que bom seria se elegêssemos deputados com mais de dois mil votos.
Se não for possível o consenso em nossas lideranças com relação aos candidatos que serão apoiados, que pelo menos haja espaço para a composição. Em outras palavras, que um político local indique o deputado estadual e o outro o federal, com ambos apoiando os dois candidatos. Passa Tempo precisa disso ou senão o trabalho de nossos governantes em busca de verbas ficará impraticável como está.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
PASSA TEMPO EM FOCO Nº 3

Acaba de ser produzida, mais uma edição do Passa Tempo em Foco Nº 3.
Pode ser feito o download no link abaixo.
http://www.sendspace.com/file/9681hb
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
A Infecção - por Caio Lara
Viver em pequenas cidades tem suas muitas vantagens, mas, em se tratando de saúde, é um risco danado. Há quem pense que não adianta ter sossego, ar puro, segurança, custo de vida menor, se “na hora que o bicho pega” não há onde procurar recurso. Hoje as distâncias estão mais curtas, a modernidade chegou em muitos locais. Mas não muito tempo atrás, quem precisava de um simples exame laboratorial tinha que contar com a boa vontade de outras pessoas e, por que não, com um pouco de sorte.
Os médicos eram poucos e corajosos. Anestesia? Artigo de luxo. Muitas vezes, os poucos veículos que existiam viravam ambulância, transportando os pacientes nas intermináveis e desconfortáveis estradas de terra.
Certa vez, passou mal um fazendeiro importante de Passa Tempo. Tinha dores horríveis no abdômen, ardência e dificuldade enorme para urinar. Mandou logo seus empregados irem buscar ajuda.
Dr. Augusto, o único médico do lugar, pegou carona na charrete da linha de leite e foi acudir o coitado. Chegando lá, diante da falta de material disponível para a coleta da urina e da necessidade iminente de um exame mais detalhado, teve uma idéia: colocar uma garrafa vazia de cachaça em água fervente (para esterilizar) e mandar o paciente urinar ali mesmo. Depois encaminharia ao laboratório mais próximo, em Carmópolis de Minas, a vinte e poucos quilômetros dali.
Naquele dia, não haveria mais locomoção motorizada para a cidade vizinha e o único jeito era mandar um cavaleiro levar. Na falta de um melhor, chamaram o Tonho, que nas horas vagas (e elas eram muitas) não desgrudava da birita. Apesar de seu estado, não poderia perder a chance de ganhar um trocado do fazendeiro pra comprar mais cachaça.
Munido do embornal, com o material do exame devidamente preparado pelo Dr. Augusto, montou em seu inseparável companheiro naquela tarde insuportavelmente quente de verão e partiram para a tortuosa viagem.
Cavalga daqui, cavalga dali, e a cidade não chegava nunca. Seu amigo quadrúpede, desacostumado com a distância, logo começou a tropeçar.
_ Anda logo, cavalo imprestável! – resmungou já prevendo a dificuldade de chegar ao destino no tempo combinado.
Lá pelo quilômetro doze, na metade do caminho, o já cansado cavaleiro se deparou com uma porteira e, ao atravessá-la, a alça do embornal ficou presa num prego e a garrafa foi ao chão, derramando a urina do fazendeiro, sua valiosa encomenda.
Tonho não sabia o que fazer. Se fosse voltar para pegar nova urina do doente, andaria os doze quilômetros já percorridos para voltar, mais vinte e quatro para chegar ao laboratório e ainda outros vinte e quatro para levar o resultado do exame. Seriam sessenta quilômetros encima de um cavalo trotão. Haja lombo pra aguentar!
Fazendo as contas, ficou fácil para ele. Arrumaria uma forma de não ter que voltar. Foi aí que lhe ocorreu a ideia que o pouparia da tortura:
_ Vô resolvê o problema do meu jeito. Não era mijo que tinha na garrafa? Agora vai ter denovo.
Pegou então sua inseparável garrafinha de pinga, deu um trago e jogou o resto fora. Virou-se para o mato, arrancou seu instrumento para fora e encheu o recipiente.
Percorrida a outra metade, procurou na cidade o lugar onde ficava o hospital. Chegando lá, entregou a garrafinha sob o olhar espantado da atendente.
_ É pra fazer o exame do compadre Mauro. O doutô Augusto que mandou assim. – disse o matuto.
Realizado o exame, ficou constatado um número anormal de bactérias presente na amostra. E foi assim que o cavaleiro Tonho ficou sabendo que também tinha infecção de urina.
Os médicos eram poucos e corajosos. Anestesia? Artigo de luxo. Muitas vezes, os poucos veículos que existiam viravam ambulância, transportando os pacientes nas intermináveis e desconfortáveis estradas de terra.
Certa vez, passou mal um fazendeiro importante de Passa Tempo. Tinha dores horríveis no abdômen, ardência e dificuldade enorme para urinar. Mandou logo seus empregados irem buscar ajuda.
Dr. Augusto, o único médico do lugar, pegou carona na charrete da linha de leite e foi acudir o coitado. Chegando lá, diante da falta de material disponível para a coleta da urina e da necessidade iminente de um exame mais detalhado, teve uma idéia: colocar uma garrafa vazia de cachaça em água fervente (para esterilizar) e mandar o paciente urinar ali mesmo. Depois encaminharia ao laboratório mais próximo, em Carmópolis de Minas, a vinte e poucos quilômetros dali.
Naquele dia, não haveria mais locomoção motorizada para a cidade vizinha e o único jeito era mandar um cavaleiro levar. Na falta de um melhor, chamaram o Tonho, que nas horas vagas (e elas eram muitas) não desgrudava da birita. Apesar de seu estado, não poderia perder a chance de ganhar um trocado do fazendeiro pra comprar mais cachaça.
Munido do embornal, com o material do exame devidamente preparado pelo Dr. Augusto, montou em seu inseparável companheiro naquela tarde insuportavelmente quente de verão e partiram para a tortuosa viagem.
Cavalga daqui, cavalga dali, e a cidade não chegava nunca. Seu amigo quadrúpede, desacostumado com a distância, logo começou a tropeçar.
_ Anda logo, cavalo imprestável! – resmungou já prevendo a dificuldade de chegar ao destino no tempo combinado.
Lá pelo quilômetro doze, na metade do caminho, o já cansado cavaleiro se deparou com uma porteira e, ao atravessá-la, a alça do embornal ficou presa num prego e a garrafa foi ao chão, derramando a urina do fazendeiro, sua valiosa encomenda.
Tonho não sabia o que fazer. Se fosse voltar para pegar nova urina do doente, andaria os doze quilômetros já percorridos para voltar, mais vinte e quatro para chegar ao laboratório e ainda outros vinte e quatro para levar o resultado do exame. Seriam sessenta quilômetros encima de um cavalo trotão. Haja lombo pra aguentar!
Fazendo as contas, ficou fácil para ele. Arrumaria uma forma de não ter que voltar. Foi aí que lhe ocorreu a ideia que o pouparia da tortura:
_ Vô resolvê o problema do meu jeito. Não era mijo que tinha na garrafa? Agora vai ter denovo.
Pegou então sua inseparável garrafinha de pinga, deu um trago e jogou o resto fora. Virou-se para o mato, arrancou seu instrumento para fora e encheu o recipiente.
Percorrida a outra metade, procurou na cidade o lugar onde ficava o hospital. Chegando lá, entregou a garrafinha sob o olhar espantado da atendente.
_ É pra fazer o exame do compadre Mauro. O doutô Augusto que mandou assim. – disse o matuto.
Realizado o exame, ficou constatado um número anormal de bactérias presente na amostra. E foi assim que o cavaleiro Tonho ficou sabendo que também tinha infecção de urina.
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